
FERRAZ, Amélia Ricon; OSSWALD, Walter - As doutrinas e o ensino da Medicina e Cirurgia de Pombal à República. [S.l.] : Cápsula de Letras, 2024. ISBN 978-989-33-6209-9.
Este livro propõe-se a analisar um período histórico de especial relevância para a História nacional e, em particular, para a História da Ciência e da Medicina em Portugal.
Partindo de um marco histórico de extrema importância para a evolução do Ensino e da História da Ciência que foi a Reforma Pombalina de 1772, até à criação das Universidades de Lisboa e Porto e das suas respetivas Faculdades de Medicina, percorremos um longo percurso de leis, decretos, reformas e ajustes, muitas vezes feitos pelos próprios médicos que sentiam a necessidade de acompanhar o evoluir da prática médica e cirúrgica, refletindo-o na assistência prestada aos doentes.
Assim, em 1772, a referida reforma, consubstanciada nos Estatutos da Universidade de Coimbra, outorgados pelo Marquês de Pombal, transpunha para Portugal os princípios iluministas então em voga na Europa, sendo determinante o papel dos chamados estrangeirados que eram, sobretudo, intelectuais portugueses que fizeram a sua formação académica em universidades europeias.
Essa mudança de paradigma fez-se sentir numa maior aproximação à Ciência e à Medicina tal como eram praticadas nos principais centros populacionais e académicos do continente europeu.
Se, por esta altura, a diferença entre a Medicina e a Cirurgia ainda era grande e os seus praticantes distintos (médicos e físicos praticariam a medicina e os barbeiros e sangradores ocupavam-se das intervenções cirúrgicas, possuindo um estatuto social e profissional inferior aos primeiros), essa diferença foi-se esbatendo ao longo do tempo, sendo a Cirurgia e o seu exercício profissional, progressivamente incluídos na prática e no ensino da Medicina.
Ao longo do tempo, foram-se dando passos importantes para modernizar e aperfeiçoar a formação de médicos e cirurgiões, aumentando o seu número para responder às necessidades que as invasões francesas e as lutas liberais tornaram prementes.
Destaca-se, pela sua importância, a criação, em 1825, das Régias Escolas de Cirurgia de Lisboa e do Porto, que, posteriormente, mudariam o seu nome para Escolas Médico-Cirúrgicas de Lisboa e do Porto, de frequência obrigatória para todos quantos pretendessem ser médicos e/ou cirurgiões.
E, finalmente, chegamos ao início do século XX, pouco tempo depois da implantação da República, da elevação das Escolas Médico-Cirúrgicas das duas cidades a Faculdades de Medicina que seriam integradas nas recém-criadas Universidades de Lisboa e do Porto, em 1911, quando cai, oficialmente e definitivamente, a já anacrónica distinção entre Medicina e Cirurgia.
[sinopse Olga Rodrigues]
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